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Restrição do crescimento fetal. O que é?


 

Olá, eu sou o Dr. Silvio Martinelli e gostaria de conversar hoje sobre um tema muito importante. Você que está gestante de repente com tudo desencaminhando bem no seu pré natal, recebe a notícia que s eu bebê não cresceu. E agora, o que fazer? Eu vejo isso quase todos os dias, pois acompanho mulheres com bebês pequenos. Mas calma, vamos conversar, não se preocupe.

Em primeiro lugar, vamos ver como é o crescimento normal do bebê. Um crescimento em que até o nascimento o comprimento aumenta 5000 vezes e o peso seis trilhões de vezes. O bebê não cresce em linha reta. A gente tem alguns períodos, são chamados períodos de crescimento. Vamos ver aqui. Começa ganhando bem pouco peso, dez gramas por semana até o quarto mês. Depois sobe para 85 gramas por semana até o sexto mês. Continua subindo para 200 gramas por semana, no sétimo e no oitavo mês. E no final desacelera para 70 gramas por semana, no nono mês. Aí vem o primeiro recado no final, o bebê cresce menos. Isso é normal.

E quando não é normal? Vou explicar como a gente sabe quando o bebê está pequeno. Quando você, gestante, faz ultrassom, u ma das informações mais importantes é o peso do bebê, porque a gente sabe se está normal quando joga no gráfico de peso e coloca a idade da gravidez em semanas. Se a gente olhar um gráfico, consideramos normal a faixa de peso compreendida entre o percentil dez e o percentil 90. É o nome que se dá, percentil. Quando estiver entre 10 e 90 n ós dizemos então que o crescimento está adequado, né? Toda vez que o peso cair abaixo do percentil dez, dizemos que o bebê está pequeno. Só dá pra saber olhando no gráfico ou vendo o valor do percentil no laudo do ultrassom. Agora, sabendo o que é pequeno, vem o segundo recado. Isso pode ser normal sim, porque metade dos bebês pequenos são absolutamente normais. Eles só são pequenos, ou seja, não tem nenhum outro problema. Isso ocorre especialmente se você ou o pai do bebê forem pequenos e não tiverem problemas de saúde. Então, quando se preocupar? Bem, em algumas situações o risco do bebê ter algum problema é maior. Vamos falar alguns exemplos. Se você está muito abaixo do peso quando engravidou ou ganhou pouco peso até agora, isso pode fazer que seja mais difícil para o bebê ganhar mais peso. N essa situação, corrigindo a dieta e dando suplementos alimentares, isso pode ser melhorado.

Dúvidas sobre restrição de crescimento fetal?

Uma outra situação agora, se você fuma, mesmo que não ache que seja muito, pode também afetar o crescimento do seu bebê. P arando de fumar, isso pode reverter ao longo das próximas semanas de gravidez. Também algumas medicações podem provocar alterações do crescimento, como remédios para convulsões, para hipertensão, sedativos, entre outros. Sempre que tomar algum remédio, avise seu médico, por favor. Um outro exemplo se você tiver alguma doença também chamada de comorbidade. O que que é isso? Estamos falando de hipertensão e diabetes, que vem antes da gravidez, problemas de coração, doenças, reumatologistas, entre outras. Quando o bebê está pequeno nessa situação, a chance desse crescimento diminuído não está normal. É maior, né?

Agora, preste atenção. O problema pode estar na placenta sim. A placenta é que leva o sangue e o oxigênio pelo cordão umbilical até o bebê. Se a placenta não estiver trabalhando direito, ou seja, se o oxigênio, os nutrientes do sangue não estiverem bons, isso também pode levar a uma diminuição do crescimento. Por isso, sempre, nós fazemos outro exame chamado Doppler. Ele é um exame de ultrassom também e é feito junto. Então, um outro exemplo veja como é. Enxergamos o cordão umbilical e medimos o fluxo de sangue nele. É sensacional porque conseguimos saber se esse movimento do sangue está alterado dentro da placenta. Não vamos entrar em detalhes, né? Mas o meu terceiro recado é o seguinte, Doppler alterado no cordão umbilical com bebê pequeno é chamado de restrição de crescimento fetal. Nesse caso, comer mais alimentos ou ter dieta com mais calorias não vai adiantar muito. Você sempre deve comer saudável na gravidez, então o que fazer? Bem, nós ainda não temos um tratamento pra placenta. O que fazemos é tentar levar a gravidez com segurança por mais tempo, dependendo da época em que esse diagnóstico aconteceu.

Uma grande preocupação de todas as mamães e papais é se o parto tem que acontecer, se é seguro deixar o bebê dentro do útero. Bem, todos nós sabemos que o melhor lugar para o desenvolvimento do bebê é na barriga da mãe. A gente só antecipa essa saída se o risco for muito grande. Esses exames vão nos guiar pra levar a gestação mais pra frente. E agora, o quarto recado de hoje. Se o bebê estiver pequeno, a mamãe for saudável, não tiver nenhuma doença e os exames de vitalidade estiverem normais, eu digo pra vocês que a gestação deve chegar até o final e o final é 40 semanas ou nove meses.

Lembra do pequeno m as normal, né? É isso mesmo. Se ele não tiver nenhum problema, ele deve chegar lá no final da gravidez. Em algumas situações pode ser preciso antecipar, né? Em caso de alguma doença sua ou se o exame de Doppler piorar, né? Ou seja, além do cordão umbilical aparecerem outros vasos alterados do bebê, ou se o líquido amniótico diminuir, ou também se ele ficar muito paradinho dentro da sua barriga. Esses são os chamados sinais de alerta.

E finalmente, o quinto e último recado. O parto normal é possível sim. A gente só não deve deixar passar de nove meses completos quando o peso está baixo, mas não tem mais nada de alterado, não há problema nenhum em fazer o parto normal. Ao contrário, é uma recomendação. Apenas deixamos ligado o monitor dos batimentos cardíacos do bebê durante todo o trabalho de parto. E pronto, vamos acompanhando. Esse é um assunto complexo. Eu resolvi deixar esse vídeo porque como obstetra eu acompanho a preocupação das mães e pais com esse diagnóstico e não tem quase nada na internet. Vamos descomplicar e com informação evitar tirar um bebê antes do tempo, sem necessidade. Deixá-lo nascer no tempo dele, no tempo certo, só tomando alguns cuidados. Mande suas dúvidas que eu te respondo e um grande abraço.

Dúvidas sobre restrição de crescimento fetal?

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